
Os apartamentos compactos avançam no mercado imobiliário brasileiro em um movimento que já extrapolou as demandas das grandes capitais e alcança cidades médias com grande circulação de estudantes, profissionais especializados e visitantes de negócios.
No Brasil, foram vendidas 426.260 unidades residenciais em 2025, (monitoradas pelos Indicadores Imobiliários Nacionais), um recorde da série histórica e cerca de metade das famílias brasileiras com renda acima de R$ 2,5 mil (49%) pretende comprar um imóvel nos próximos 24 meses, segundo uma pesquisa divulgada pela Abrainc, Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias.
Dentro desse ciclo, o compacto se tornou protagonista no Paraná. Em Curitiba os studios e unidades de um dormitório responderam por quase 70% dos 1.863 apartamentos verticais lançados no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da BRAIN Inteligência Estratégica para a ADEMI-PR, apresentada em parceria com o Secovi-PR, Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná.
E esta escolha pelos compactos passa, invariavelmente, por alguns motivos: a necessidade de praticidade no dia a dia que inclui a redução de metragem da moradia; a opção por enxugar o orçamento temporariamente ou indefinidamente; separações ou a morte de um dos cônjuges, parceiro ou pessoa da família; casamentos ou recebimento de dinheiro e mudança de status social, como a promoção ou conquista de um emprego melhor remunerado; condições especiais e facilidades para a aquisição (as chamadas alavancas de vendas) e ainda a grande rentabilidade dos compactos e a perspectiva de valorização rápida, que são fatores atrativos para os investidores.
Os indicadores nacionais ajudam a dimensionar o interesse pelo segmento. O Índice FipeZap, por exemplo, aponta que apartamentos de um dormitório lideram tanto a valorização de venda no país em 12 meses, com alta de 7,29%, quanto o preço de locação por metro quadrado - que passa de R$ 72, sendo 30% a mais que os imóveis com 2, 3 ou 4 quartos.
Londrina reúne características que levam a esta tendência. A cidade fechou 2024 com um VGV (Valor Geral de Venda) recorde de R$ 3,3 bilhões em lançamentos, com 5.732 unidades em 36 empreendimentos, sendo R$ 1 bilhão a mais que no ano anterior. O município também reúne uma população de 25 mil estudantes universitários, que se renovam todos os anos e este público, tradicionalmente, alimenta a procura por imóveis menores e próximos a centros de ensino e serviços.
O presidente do Sinduscon Norte do Paraná, Sandro Nóbrega, explica que estudos da entidade mostram que, além dos estudantes, novos públicos estão interessados em apartamentos compactos. “Hoje quem procura este formato de imóvel são também idosos, pessoas sozinhas e sem filhos e que vêm a trabalho de outros municípios. Um perfil que mudou muito nos últimos 20 anos, e a expectativa é que isso cresça ainda mais”, ressalta Nóbrega.
Londrina cria cerca de 6.500 novas vagas de trabalho todos os anos. Dois grandes exemplos de novos polos de emprego estão na área da saúde, com o novo Hospital Unimed, e no setor de tecnologia, com a ampliação dos serviços prestados pela empresa Tata Consultancy Services na cidade. Para os próximos anos, outros grandes empreendimentos devem ficar prontos, como o centro de distribuição da Shopee, que deve gerar 2 mil empregos diretos.
Hospedagem por temporada
Os imóveis compactos também são os mais procurados para a hospedagem por temporada. Um levantamento da AirDNA, plataforma especializada no monitoramento de imóveis para temporada, apontou 970 anúncios ativos em Londrina em julho de 2026, o que representa um crescimento de 29,6% em 12 meses. Mais da metade da oferta, 53,5%, era formada por imóveis de um dormitório.
Esse mercado deve ganhar ainda mais escala nos próximos anos. Segundo o presidente do Sindhotéis de Londrina, Tiago Galli, o sindicato acompanha a previsão de chegada de cerca de 2 mil apartamentos no modelo studio, com parte das unidades voltadas para locações de curta duração nas plataformas digitais. Na avaliação do presidente do Sindhotéis, plataformas como Airbnb e outras modalidades de locação temporária passaram a complementar a estrutura de hospedagem da cidade e atendem a um perfil específico de visitante. “São investidores que acreditaram em Londrina e encontraram nesse modelo uma nova forma de hospedagem. Existe um público que busca a praticidade dessas plataformas, com horários mais flexíveis e uma experiência mais independente, enquanto outro procura os serviços e a estrutura oferecidos pelos hotéis. São públicos diferentes e uma oferta que acaba se agregando à cidade”, explica Galli.
Apesar do crescimento da demanda, a oferta de studios em Londrina, principalmente para a hospedagem por temporada, ainda é insuficiente. Dos últimos lançamentos entregues na cidade, nenhum é do tipo studio. As unidades existentes atualmente, cerca de 1.400, não foram originalmente planejadas para essa finalidade, mas adaptadas e, em muitos casos, estão fora dos padrões procurados hoje nas plataformas digitais. Isso indica que ainda existe um mercado significativo para esse tipo de imóvel em Londrina.

Entre as vantagens do studio planejado, especialmente para fins de hospedagem por temporada, é a estrutura dos prédios, que contam com lavanderia, academia bem equipada, rooftop com área gourmet e piscina, coworking, minimercado, entre outros serviços e comodidades que fazem a diferença. Nesta modalidade, o andar térreo e, muitas vezes, também a sobreloja dos edifícios, são disponibilizados para atividades comerciais, como lojas de roupas, cafés, prestadores de serviços, o que valoriza ainda mais o empreendimento e o entorno.
Novo eixo de investimentos
O formato de studio para investimento começa a ganhar escala em Londrina. A Gleba Palhano recebeu, em 2026, o lançamento de três empreendimentos. Já o Terra Bonita recebe o lançamento da AVIV Construtora e Incorporadora, o Harbor 360º, um complexo de uso misto, próximo ao shopping e aos novos corredores de acesso da região, construído em um terreno de 6.556 m², avaliado em mais de R$ 40 milhões.

Para Felipe Rossetto, da AVIV, o crescimento desse segmento acompanha uma mudança na própria maneira como as pessoas utilizam a cidade. “O studio atende um público que precisa de praticidade e proximidade com universidade, comércio, serviços e transporte. Em Londrina, essa demanda aparece tanto na moradia quanto nas estadias de média duração, que hoje representam uma parte importante do mercado de locação flexível”, afirma.
O empreendimento, com 256 unidades, foi planejado em todos os detalhes para ser uma experiência para quem vai morar ou alugar, desde o paisagismo e a decoração até o rooftop com lazer completo e comodidades como espaços para reuniões, academia e mercado. Para garantir maior longevidade à valorização e à rentabilidade do imóvel para proprietários, foram destinadas áreas no térreo, na sobreloja e no andar intermediário para atividades comerciais, transformando o local em um belo e atrativo mall.
Outro ponto estrategicamente levado em conta foi a escolha do local para o empreendimento, já que a infraestrutura urbana também acompanha esse movimento. O Harbor 360º fica na Rua Luís Lerco, esquina com a Avenida Terras de Santana. O prolongamento da avenida Octávio Genta, entregue em outubro de 2024, criou uma nova ligação entre os bairros próximos ao Terra Bonita, o Catuaí Shopping e os acessos à PR-445. A Rua Luís Lerco também passou por etapas de duplicação, ampliando a conexão de uma das regiões que mais recebem investimentos imobiliários atualmente. A área se tornou uma das mais procuradas por quem deseja morar em condomínios, apartamentos ou implantar um negócio, com potencial de desenvolvimento para os próximos 30 anos.